sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

a vida de saltos altos

Sempre ambicionei viver uma vida de saltos altos. Adoro poder olhar fascinada para as verdadeiras obras de arte que alguns designers criam, mas o pensamento surge à velocidade da luz: nunca conseguia andar em cima daquilo!
Admiro, com toda a franqueza, todas as raparigas que vejo a enfrentar a fantástica calçada portuguesa com saltos agulha vertiginosos. Decididamente os senhores que tiveram a maravilhosa ideia de colocar paralelepípedos justapostos a outros paralelepípedos com apenas alguma areia a encher as junções nunca pensaram que as pessoas iam andar diariamente em andas! Sonhassem eles com tamanhos circos que sobre ela passam... era de "fazer chorar as pedras da calçada"!
Continuo até aos dias de hoje sem perceber o que raio se passa comigo - se sou eu que não tenho mesmo jeito nenhum para viver assente em saltos ou se é a minha vida que é agitada de mais para ser vivida a correr sobre cilindros de 5mm de diâmetro e 12cm de altura. Habituei-me a percorrer grandes distâncias a pé, senhora do meu nariz, em passo apressado, sem dar cavaco a ninguém. Tentei repetir tal proeza sobre uns confortáveis 7 ou 8cm e começou o espectáculo: parecia aqueles senhores que se equilibram a custo nos monociclos ou até mesmo um equilibrista em noite de lotação esgotada. Os calores começavam a apertar e a necessidade de parecer bem imperava. Claro está que a determinada altura o inevitável aconteceu - torci um pé! Ri-me de mim, olhei à volta e ri-me mais um pouco "está tudo bem, está tudo bem! Não está nada bem, pá! Acabaste de fazer cá uma figurinha... que mau aspecto!", ergui a cabeça e segui caminho. Minutos depois a jornada havia acabado. Pensei para comigo "NUNCA MAIS!", mas a vontade de ser "crescida" fala mais alto e, eventualmente, lá recorro a uns "confortáveis" wedges.
É ambígua toda esta questão dos saltos altos e isso tira-me do sério! Apesar de ser aficionada do chamado "mundo da moda" acredito que não devemos ser escravos dos nossos próprios acessórios ou roupas, devemos sentir-nos confortáveis mesmo nas roupas mais extravagantes, mas o sofrimento por que passamos ao usar "aqueles" sapatos acaba por compensar isso pois fizemos um figurão na festa a que fomos ou na noite de copos com os amigos. De uma coisa tenho a certeza: se acharem que o dia ou a noite passados em cima dos saltos serão dignos de uma epopeia, desistam! Sobre o Cabo das Tormentas já bem nos bastou ter o Camões a escrever!

-M

2 comentários:

  1. Eu não sou cusca mas ontem, estava muito descansada e ouvi duas amigas a terem este tipo de conversa por meio de risadas e cigarros. Não te é familiar?

    Carol

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  2. mesmo familiar! só falta uma coisa para este blo ficar mesmo completo, a tua colaboração enquanto fotógrafa!

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