quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Era suposto ser um blog de tendências, era...
Era suposto ser um blog de moda , era...
Era suposto ser um blog de tudo menos aquilo que é , era...
Já me passou tudo e mais alguma coisa pela cabeça, mas ter coragem para arriscar e entrar numa zona que não a nossa de conforto custa e assusta! Por ser um projecto tão cheio de identidade parece mais difícil mostrar partes de mim que nem todos sabem existir, gostos reprimidos e secretos. Ao fim ao cabo sou uma menina, ainda que nos esqueçamos todos disso de vez em quando! "Miúda! é a primeira vez que te vejo de saia!" "Miúda! é a primeira vez que te vejo de saltos!" "Ena! nunca te tinha visto com nada tão justo!" "Miúda! Tens mamas para usar decote!!" Eu sei, é "triste" ter ouvido destas coisas há tão pouco tempo!
Sempre fui uma miúda bastante complexada e lembro-me que quando a puberdade me atingiu e as maminhas começaram a crescer entrei em negação total. Só usava camisolas larguíssimas para esconder aqueles abcessos que me estavam a crescer no peito e sempre que alguém mandava a piadita "já estás a ficar uma mulher" eu ficava absolutamente possuída. O período de habituação a uma mudança tão radical (ainda que progressiva, entenda-se! As maminhas não apareceram como o chocapic!) foi bastante complicado, mas certo também é que quando me apercebi que as tinha e que não as podia fazer desaparecer usava o que muita gente gostava de poder usar. Sempre me debati bastante porque não só não gostei que me tivessem nascido os abcessos como tiveram que nascer "grandes"! (Ele há coisas que parecem obra do diabo!) Enquanto criança adorava comer, entenda-se que se os abcessos cresceram assim tanto é porque tinha razão de ser, e entrar na adolescência com dois abcessos grandes e com uns bons pneuzito foi deveras complicado, especialmente quando as miúdas da minha turma eram todas normais. Eventualmente o tempo passou, fui "esticando" e fiquei mais normal, mas sempre com o maldito pneuzito! (Admitamos, por mais que se diga que a magreza é uma superficialidade e que mais vale ter umas curvas, vamos sempre invejar aquela ou a outra por ser magríssima.) Por circunstâncias da vida vi-me forçada a fazer um tratamento que me acelerou o metabolismo a mil e que fez com que perdesse cerca de 10kg. A badochita virou esqueleto (de tal maneira que as calças chegaram a cair-me várias vezes)! Acreditem, não há melhor sensação que comer tudo o que queiramos e ficar na mesma sem mexer uma palha... É mesmo bom, o chato é chegar a esse estado por meio de comprimidos que nos fazem passar o dia inteiro ou na casa de banho ou a dormir ou completamente alheados do mundo. Não desejo isso a ninguém, nem mesmo ao eventual maior inimigo que tenha! Anyway! Tamanha oscilação de peso entre pré-tratamento e pós-tratamento fez com que perdesse as tão indesejáveis maminhas! Wohooo! Conquista!! Mas como mandar os foguetes antes da festa dá sempre mau resultado... acabou o Verão e elas voltaram em força para me atormentar, assim como o maldito pneuzito que insiste em não desaparecer... Mas nada de baixar os braços, deixar de comer, invejar a magreza alheia e esperar que as maminhas desapareçam tipo o chocapic! Ainda que os nossos "complexos" apareçam sempre quando menos queremos temos que saber lidar com eles e tratá-los da melhor maneira! Ainda que as maminhas não sejam microscópicas ou que saia sempre uma banhita das calças de ganga, uma camisola mais larga ou uma menos reveladora ajudam sempre a camuflar o problema!
Acreditem em mim quando digo que percebo o quão difícil é querer vestir o 36 mas só nos caber o 38, assim como é difícil comprar um XS e mesmo assim ficar-nos grande. Hoje em dia pecamos por nos termos habituado ao pronto-a-vestir e por, dessa forma, termos "canonizado" o corpo da mulher, mas pelo ritmo a que o mundo anda e cresce ter tudo disponível a qualquer hora torna-se muito mais rentável, assim como produzir em massa também se torna muito mais "aprazível" em termos financeiros, fazendo assim com que milhares de milhões de mulheres e homens fiquem deprimidos por ir às compras. "Mas eu costumava comprar o M e agora tive que ir comprar um L!" Porque é tão urgente a necessidade de caber num tamanho médio? É o M da t-shirt ou da camisola que vai decidir o quão bem sucedidos seremos na vida? Ena bem! Então vou andar para aí a comprar tudo XXL que é para ser tudo à grande! Ridículo!! Digo-vos sinceramente: pudesse eu ter uma modista à minha disposição como tinham as senhoras no tempo das minhas avós e não voltava a meter os pés numa Zara ou numa H&M! Viviam distanciadas dos S, dos M e dos L e não era por isso que deixavam de andar bem vestidas e também não era por isso que eram menos felizes! Não somos todos iguais nem estaremos sempre contentes com o nosso corpo ou com a nossa cara ou com o nosso cabelo. Façamos tudo o que está ao nosso alcance para aumentar a confiança em nós próprios (um corte de cabelo, uma coloração, um cremezinho) e abracemos as nossas curvas ou a falta delas! O mundo só é verdadeiramente bonito se também nós o formos por dentro.


-M

1 comentário:

  1. Contra factos não há argumentos. E realmente a padronização do mundo actual deixa-nos automaticamente "rotulados", cabe a nós fugir disso e sermos quem realmente queremos ser. O que os outros, que não nos conhecem realmente, dizem não importa. Somos o que somos, e quem não gostar, olha para o lado!

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