segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

the X factor


Andava eu numa maratona imensa de zapping pelos milhares de milhões de canais que a minha televisão tem quando me deparei com um filme que já tinha visto há uns anos atrás de nome "Manuale d'amore", um engraçado filme italiano com o tão bem conhecido formato de "apresentamos os estádios de uma relação e vemos onde é que resulta e onde é que dá bode". Começa o filme com a história de Tommaso, um rapaz desempregado, com um tremendo azar na vida e que, resumidamente, não tem onde cair morto, até que se cruza (ou evita cruzar-se) com um gato preto, o que faz com que conheça Giulia, uma miúda que não sentiu absolutamente nada ao conhecer o tão persistente rapaz. Combinam um encontro mas ela decide desmarcar-se, faz-lhe o rapaz uma espera à porta de casa dela para a ver com outro: "Diz-me que o rapaz do beijo não é o teu ex! Perché se quello del bacio è un ex... se è un ex, significa che tu sei come tutte le altre donne che quando si sentono sole e abbandonate tornano indietro, invece di andare avanti." Quem diria, Tommaso, que as tuas palavras eram tão sábias?
Durante anos e anos de civilização inúmeras foram as teorias sobre a repetitividade da História, será cíclica ou não será? E é nessa comparação com a História que me questiono: não será também a nossa história um conjunto de repetições? Todos nós já nos vimos na mesma situação: sentimos que já ultrapassámos determinada relação ou relacionamento mas, precisamente no momento em que A pessoa não podia aparecer na nossa vida... lá está ela! Na maior descontracção do mundo, com um sorriso de orelha a orelha, diz-nos um "Olá" e pisca-nos o olho. Os joelhos começam a tremer, e a garganta fica seca. "Tinha que o ver logo hoje que estou com o pior aspecto do mundo!!" Passado umas horas toca o telemóvel "gostei de te ver", e pronto... Voltamos ao mesmo! Ainda não tinha passado o tempo suficiente para:
a) eu o esquecer
b) arranjar outra pessoa
c) eu o esquecer!!
Malditos acasos da vida que nos fazem ter destes encontros de 3º grau que levam a que a história se volte a repetir. Voltam sentimentos, voltam lembranças, voltam vontades, voltam revoltas, volta tudo. Volta tudo aquilo que queríamos que não voltasse! E é aqui que voltam as palavras sábias do Tommaso. Porque é que continuamos todos tão agarrados às relações que já passaram? Porque é mais fácil de facto, voltar atrás, experienciar tudo aquilo que já conhecemos como a palma das nossas mãos, magoarmo-nos outra vez porque, ainda que com outra cor ou cheiro, a merda é a mesma, e evitamos o tão grande medo de enfrentar a dor provocada por um "desconhecido". Esta história de recorrentemente voltarmos para os "ex" só existe por puro medo. Somos pessoas medrosas que se conformam com qualquer migalhita, porque "não é bom estarmos sozinhas". Contra mim falo, claro. Também já fui uma medrosa que não aceitava a possibilidade de estar sozinha, de não ter ninguém "a quem mandar mensagens" mas sofri as consequências disso e aprendi uma grande lição: mais vale só que mal acompanhada. E dessa lição retirei também que não há melhor companhia que eu mesma, até porque não nos podemos esquecer (e vou tomar a liberdade de me citar a mim própria como se de uma grande autora me tratasse) "só há duas coisas garantidas na nossa vida: a morte e nós próprios. Mesmo que toda a gente no mundo decida desaparecer ter-nos-emos a nós mesmos", e vale mesmo a pena comprometermos a nossa única relação certa até ao final dos tempos por outras que terão tudo menos um futuro? 
Sim, admito que esta questão levanta muitas outras. Um "ex" mexerá sempre connosco, pois, que eu saiba, não somos "heartless bitches", e se estivemos com ele durante X tempo por alguma coisa foi! Mas também é certo que se as coisas acabaram... Se calhar não vale a pena voltar para trás e mexer no que para lá ficou. As tentações vão ser sempre muitas e o lábio vai ser mordido muitas vezes, até ao momento em que ver a outra pessoa deixará de fazer sentido porque vimos a luz ao fim do túnel. Não digo que seja a solução para os problemas de todos, mas para mim funciona muito bem: gostar de mim e cuidar de mim dá-me tanto trabalho que nem consigo pensar em fazer o mesmo por outra pessoa. Ouu não fosse eu uma pessoa exigente!


-M

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

um pequeno "desabafo"...

Isto de andar em transportes colectivos tem muito que se lhe dia. Seja ela uma viagem de autocarro, metro ou avião. Não só são locais absolutamente conspurcados e recheados de bactérias como temos que levar com as acções voluntárias e involuntárias dos que ao nosso lado se sentam. São inúmeras as histórias de velhinhos e velhinhas nos autocarros a tossir compulsivamente, de tal modo que só nos resta aguardar o momento em que lhes sai um pulmão ou em que lhes dá para puxar a bela da "escarra", mas a minha sina ultrapassa velhinhos doentes e nem imaginam o quanto gostava que as histórias fossem só as das tosses.
Começam a ser recorrentes na minha vida os "encontros de 3º grau" com pessoas sofredoras de, nada mais nada menos, flatulência. Exactamente, a "F word", e só de pensar nisto até me estão a dar náuseas. Recordo-me do primeiro episódio deste género que marcou profundamente a minha vida e que deixou marcas irreversíveis: estava eu numas MALDITAS escadas rolantes, e chamo-lhes malditas porque nem podem ter outro nome, quando, no preciso momento em que o RABO do senhor à minha frente fica ao nível da minha cara, este decide mandar uma preciosa bufa. Quer dizer, endendamos que até pode não ter sido voluntário,  ao fim ao cabo chega a uma altura na vida em que guardar determinadas coisas para nós já começa a ser difícil (ou não fossem os mais velhos conhecidos pela frontalidade), mas que foi um segredo que preferia não ter sabido, disso não há dúvida! Certamente estão a questionar-se por que raio fui eu lembrar-me de flatulência a uma hora destas, pois bem, passo a explicar: todos estão familiarizados com os infames vôos low cost - pouco espaço para as pernas, pouco espaço no assento, muita proximidade com os vizinhos do lado -  e compreendem o grau de "intimidade" que adquirimos com aqueles que optam sentar-se ao nosso lado. Entrei num Boeing 737 com destino a Valencia e "escolhi" o meu lugar com base no espaço disponível para pôr a minha mala bem por cima de mim. Como boa samaritana que sou escolhi o assento do meio, ainda que esperançada que o lugar do meu lado esquerdo não fosse ocupado, e aguardei que o avião fosse ficando mais compostinho, até que aparece o meu vizinho: um senhor de fato, com ar vivido nestas questões de vôos e senti-me mais descansada. MAL! De facto o senhor não apresentou problema nenhum à primeira vista, sentou-se a ler a sua revistinha, ocupou o seu espaço q.b. e não e dirigiu palavra, até que as suas acções começaram a "falar" mais alto e me chegou ao nariz um cheiro fétido. Não que o senhor estivesse todo podre, nada disso, mas claramente sofria de um problema com feijoada ou algo desse género. É que não foi uma vez, nem duas, foram várias, durante o vôo TODO!! Eu bem que me tentava concentrar no Stieg Larsson e na sua história da "Girl who played with fire" mas no meu campo de visão encontravam-se as pernas do senhor que amigavelmente se contorciam num aviso para o "desabafo" que ia presenciar. Falam as más línguas da corneta da Ryanair, mas no dia em que vivenciarem um episódio destes acreditem que nada teve um som tão doce como esta após hora e meia de pura tortura.
Como dizia eu no início deste (e vão desculpar-me a falta de palavra melhor) desabafo, esta história dos transportes públicos pode ter inúmeras qualidades e de trazer benefícios à nossa Mãe Natureza, as prejudica-nos demais pela "poluição" a que estamos sujeitos, se é que me entendem. Enquanto as histórias não passarem de senhores a guardar as couves como se da vida se tratassem ou até mesmo do gozo dado pela observação dos velhinhos a recordar tempos gloriosos pela aparição de alguma menina com menos frio  estamos nós bem, e até as tosses alheias começam a fazer-nos menos confusão, mas quando as histórias começam a envolver "confissões" de segredos "profundos" é sinal que a nossa experiência "social" já bateu no fundo.


-M