domingo, 10 de junho de 2012

shoegasm

MAJOR SHOEGASM!!!



É verdade, andei desaparecida. Tem sido bastante difícil não só arranjar tema para discutir aqui como também arranjar tempo para o fazer. Hoje achei que devia partilhar aqui este verdadeiro "shoegasm", uma junção brilhantemente conseguida pela Acne Studios de um sapato clássico com umas sapatilhas bastante desportivas. A primeira vez, certamente, que tal fusão não resulta num sapato parolíssimo, como umas coisas que eram moda há uns anos atrás:

Bem, e depois de ter partilhado este crime convosco sinto-me na obrigação de deixar umas imagens menos agressivas aos olhos e que evitem os pesadelos esta noite! Bom shoegasm para todos!!




-M

terça-feira, 20 de março de 2012

vin... quê?



A vingança é um prato que se serve frio, já diz a sabedoria popular, e ainda que tentemos afastar-nos de um sentimento tão pouco construtivo há que admitir que não há nada como o sabor da vingança. Desde pequenina que ouço "não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti" mas acabam sempre por nos surgir oportunidades únicas na vida às quais não podemos virar as costas. Nem sempre as coisas nos aparecem bem claras à nossa frente, ao fim ao cabo a nossa vida é um jogo e temos de jogar com o que temos na mão, que até pode nem ser muito famoso, mas com o bluff certo e com uma dose "um bocadinho assim" (como o danoninho) de sorte temos a jogada perfeita que vira tudo a nosso favor. Não, não sou perita em jogos de cartas nem venho aqui falar sobre eles mas sinto-me contente porque consegui ganhar este jogo do peixinho.
Sei que me acham demasiado generalizadora, e com as minhas palavras nunca pretendi ofender ninguém, muito pelo contrário, o meu objectivo é sempre aproximar-me o mais possível de quem lê retratando situações que considero demasiado comuns e sobre as quais as pessoas, geralmente, não têm tempo para pensar nem cabeça para dissertar. E correndo o risco de me tornar ainda mais generalizadora assumo que já todos nos encontrámos numa situação em que a única coisa que queríamos era um cheirinho de vingança. Não estou a dizer que sejamos todos uns "anonymous" e que vamos todos agarrar nas nossas máscaras do Guy Fawkes e que isto vai virar o Texas. Estou a referir-me àquele sentimento de satisfação que nos invade de cada vez que o karma actua. O problema nisto do karma é que ele às vezes demora muito tempo, e nós que somos pessoas bastante activas tornamo-nos impacientes e temos que lhe dar um empurrãozinho, e é a esse empurrãozinho que eu chamo vingança. As meninas que se acusem (e os meninos também!): nunca desejaram no vosso mais "negro" ser que aquele gajo se lixasse? Que aquele gajo que vos fez a vida negra, que vos fez chorar que nem umas madalenas, que vos marcou profundamente, acabasse por sofrer "um bocadinho só" daquilo que vocês sofreram? Ah! Eu bem sabia! Está-nos nos genes! Acredito até que a Madre Teresa, no seu íntimo, algum dia chegou a sentir essa necessidade. Não vale a pena negarmos... Só nos enganamos a nós próprios e "o pior cego é aquele que não quer ver".
Devemos aproveitar as oportunidades que nos aparecem na vida, apliquemos isso a tudo, mas às vezes também há que as proporcionar e quando assim for: dêm tudo de vocês porque vai valer a pena. Ao fim ao cabo, quem é que nunca fez um bocadinho de batota? (Não se preocupem, eu não digo a ninguém!)


-M

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

the X factor


Andava eu numa maratona imensa de zapping pelos milhares de milhões de canais que a minha televisão tem quando me deparei com um filme que já tinha visto há uns anos atrás de nome "Manuale d'amore", um engraçado filme italiano com o tão bem conhecido formato de "apresentamos os estádios de uma relação e vemos onde é que resulta e onde é que dá bode". Começa o filme com a história de Tommaso, um rapaz desempregado, com um tremendo azar na vida e que, resumidamente, não tem onde cair morto, até que se cruza (ou evita cruzar-se) com um gato preto, o que faz com que conheça Giulia, uma miúda que não sentiu absolutamente nada ao conhecer o tão persistente rapaz. Combinam um encontro mas ela decide desmarcar-se, faz-lhe o rapaz uma espera à porta de casa dela para a ver com outro: "Diz-me que o rapaz do beijo não é o teu ex! Perché se quello del bacio è un ex... se è un ex, significa che tu sei come tutte le altre donne che quando si sentono sole e abbandonate tornano indietro, invece di andare avanti." Quem diria, Tommaso, que as tuas palavras eram tão sábias?
Durante anos e anos de civilização inúmeras foram as teorias sobre a repetitividade da História, será cíclica ou não será? E é nessa comparação com a História que me questiono: não será também a nossa história um conjunto de repetições? Todos nós já nos vimos na mesma situação: sentimos que já ultrapassámos determinada relação ou relacionamento mas, precisamente no momento em que A pessoa não podia aparecer na nossa vida... lá está ela! Na maior descontracção do mundo, com um sorriso de orelha a orelha, diz-nos um "Olá" e pisca-nos o olho. Os joelhos começam a tremer, e a garganta fica seca. "Tinha que o ver logo hoje que estou com o pior aspecto do mundo!!" Passado umas horas toca o telemóvel "gostei de te ver", e pronto... Voltamos ao mesmo! Ainda não tinha passado o tempo suficiente para:
a) eu o esquecer
b) arranjar outra pessoa
c) eu o esquecer!!
Malditos acasos da vida que nos fazem ter destes encontros de 3º grau que levam a que a história se volte a repetir. Voltam sentimentos, voltam lembranças, voltam vontades, voltam revoltas, volta tudo. Volta tudo aquilo que queríamos que não voltasse! E é aqui que voltam as palavras sábias do Tommaso. Porque é que continuamos todos tão agarrados às relações que já passaram? Porque é mais fácil de facto, voltar atrás, experienciar tudo aquilo que já conhecemos como a palma das nossas mãos, magoarmo-nos outra vez porque, ainda que com outra cor ou cheiro, a merda é a mesma, e evitamos o tão grande medo de enfrentar a dor provocada por um "desconhecido". Esta história de recorrentemente voltarmos para os "ex" só existe por puro medo. Somos pessoas medrosas que se conformam com qualquer migalhita, porque "não é bom estarmos sozinhas". Contra mim falo, claro. Também já fui uma medrosa que não aceitava a possibilidade de estar sozinha, de não ter ninguém "a quem mandar mensagens" mas sofri as consequências disso e aprendi uma grande lição: mais vale só que mal acompanhada. E dessa lição retirei também que não há melhor companhia que eu mesma, até porque não nos podemos esquecer (e vou tomar a liberdade de me citar a mim própria como se de uma grande autora me tratasse) "só há duas coisas garantidas na nossa vida: a morte e nós próprios. Mesmo que toda a gente no mundo decida desaparecer ter-nos-emos a nós mesmos", e vale mesmo a pena comprometermos a nossa única relação certa até ao final dos tempos por outras que terão tudo menos um futuro? 
Sim, admito que esta questão levanta muitas outras. Um "ex" mexerá sempre connosco, pois, que eu saiba, não somos "heartless bitches", e se estivemos com ele durante X tempo por alguma coisa foi! Mas também é certo que se as coisas acabaram... Se calhar não vale a pena voltar para trás e mexer no que para lá ficou. As tentações vão ser sempre muitas e o lábio vai ser mordido muitas vezes, até ao momento em que ver a outra pessoa deixará de fazer sentido porque vimos a luz ao fim do túnel. Não digo que seja a solução para os problemas de todos, mas para mim funciona muito bem: gostar de mim e cuidar de mim dá-me tanto trabalho que nem consigo pensar em fazer o mesmo por outra pessoa. Ouu não fosse eu uma pessoa exigente!


-M

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

um pequeno "desabafo"...

Isto de andar em transportes colectivos tem muito que se lhe dia. Seja ela uma viagem de autocarro, metro ou avião. Não só são locais absolutamente conspurcados e recheados de bactérias como temos que levar com as acções voluntárias e involuntárias dos que ao nosso lado se sentam. São inúmeras as histórias de velhinhos e velhinhas nos autocarros a tossir compulsivamente, de tal modo que só nos resta aguardar o momento em que lhes sai um pulmão ou em que lhes dá para puxar a bela da "escarra", mas a minha sina ultrapassa velhinhos doentes e nem imaginam o quanto gostava que as histórias fossem só as das tosses.
Começam a ser recorrentes na minha vida os "encontros de 3º grau" com pessoas sofredoras de, nada mais nada menos, flatulência. Exactamente, a "F word", e só de pensar nisto até me estão a dar náuseas. Recordo-me do primeiro episódio deste género que marcou profundamente a minha vida e que deixou marcas irreversíveis: estava eu numas MALDITAS escadas rolantes, e chamo-lhes malditas porque nem podem ter outro nome, quando, no preciso momento em que o RABO do senhor à minha frente fica ao nível da minha cara, este decide mandar uma preciosa bufa. Quer dizer, endendamos que até pode não ter sido voluntário,  ao fim ao cabo chega a uma altura na vida em que guardar determinadas coisas para nós já começa a ser difícil (ou não fossem os mais velhos conhecidos pela frontalidade), mas que foi um segredo que preferia não ter sabido, disso não há dúvida! Certamente estão a questionar-se por que raio fui eu lembrar-me de flatulência a uma hora destas, pois bem, passo a explicar: todos estão familiarizados com os infames vôos low cost - pouco espaço para as pernas, pouco espaço no assento, muita proximidade com os vizinhos do lado -  e compreendem o grau de "intimidade" que adquirimos com aqueles que optam sentar-se ao nosso lado. Entrei num Boeing 737 com destino a Valencia e "escolhi" o meu lugar com base no espaço disponível para pôr a minha mala bem por cima de mim. Como boa samaritana que sou escolhi o assento do meio, ainda que esperançada que o lugar do meu lado esquerdo não fosse ocupado, e aguardei que o avião fosse ficando mais compostinho, até que aparece o meu vizinho: um senhor de fato, com ar vivido nestas questões de vôos e senti-me mais descansada. MAL! De facto o senhor não apresentou problema nenhum à primeira vista, sentou-se a ler a sua revistinha, ocupou o seu espaço q.b. e não e dirigiu palavra, até que as suas acções começaram a "falar" mais alto e me chegou ao nariz um cheiro fétido. Não que o senhor estivesse todo podre, nada disso, mas claramente sofria de um problema com feijoada ou algo desse género. É que não foi uma vez, nem duas, foram várias, durante o vôo TODO!! Eu bem que me tentava concentrar no Stieg Larsson e na sua história da "Girl who played with fire" mas no meu campo de visão encontravam-se as pernas do senhor que amigavelmente se contorciam num aviso para o "desabafo" que ia presenciar. Falam as más línguas da corneta da Ryanair, mas no dia em que vivenciarem um episódio destes acreditem que nada teve um som tão doce como esta após hora e meia de pura tortura.
Como dizia eu no início deste (e vão desculpar-me a falta de palavra melhor) desabafo, esta história dos transportes públicos pode ter inúmeras qualidades e de trazer benefícios à nossa Mãe Natureza, as prejudica-nos demais pela "poluição" a que estamos sujeitos, se é que me entendem. Enquanto as histórias não passarem de senhores a guardar as couves como se da vida se tratassem ou até mesmo do gozo dado pela observação dos velhinhos a recordar tempos gloriosos pela aparição de alguma menina com menos frio  estamos nós bem, e até as tosses alheias começam a fazer-nos menos confusão, mas quando as histórias começam a envolver "confissões" de segredos "profundos" é sinal que a nossa experiência "social" já bateu no fundo.


-M

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ctrl+x

Neste mundo inteiro coisas que me transcendem é o que não falta, coisas banais como lavar a roupa na máquina ou fazer um cozido à portuguesa... Mas o que me transcende mesmo é a incapacidade que nos acompanha até ao resto da vida de esquecer. É difícil esquecer as quedas que demos a andar de bicicleta, as vezes em que chorámos porque partimos alguma coisa em casa, as discussões parvas com os pais, as guerrinhas parvas entre amigos, as conversas intermináveis por conflitos que teimaram aparecer, enfim. Ainda que o bom se mantenha nas nossas mentes o mais certo é não nos esquecermos das coisas más. E vai sempre haver alguém para nos lembrar delas. Felizmente o nosso mundo não pára um segundo e mal temos tempo para pensar "no que não devemos", as nossas vidas são demasiado interessantes para perder tempo a pensar em coisas tristes... até que chegam dias tipo os domingos em que tudo à nossa volta parece ter aparecido, em que a nossa mente ganha asas e vai sempre parar aonde não deve. Porquê, domingo? Porquê? Porque é que dás assim tanto espaço, calma e tranquilidade aos pensamentos reprimidos para divagar?
Não sei se é só coisa minha, mas geralmente faço questão de pôr uma pedra sobre os assuntos que mais me incomodam e faço tudo ao meu alcance para nunca mais me lembrar deles. Tento ocupar-me tão estupidamente para que quando me lembre deles as coisas já não façam qualquer sentido, "Pensar nisto que aconteceu há 1 ano atrás?! Para quê perder o meu tempo?" e geralmente a coisa até corre bem... Mas há sempre aquelas alturas críticas. É péssimo estar quase mesmo a pousar a pedra no assunto e a levá-lo para o corredor do esquecimento quando aparece alguém que diz "Olha! Vi-o com ela no outro dia!". Para quê? para voltar novamente a tortura do pensamento incessante sobre a outra pessoa? (E sim, escusam de pensar que até podia estar a falar noutra coisa que não relacionamentos!!) Ouvi algures no outro dia que para uma pessoa ultrapassar uma relação por completo precisa de, pelo menos, metade do tempo que durou a relação, (para quem a ideia é confusa: se a relação durou 1 ano são necessários 6 meses para a ultrapassar por completo) se bem que isso para mim é uma grandessíssima treta e, ou não fosse isto um problema do "coração", não há "fórmulas" para o resolver! Cada um é como cada qual e logicamente depende do quanto a outra pessoa nos marcou e nos "bateu" no coração. Há coisas que nem o maior ódio do mundo pode apagar, especialmente tendo os que nos rodeiam a falar-nos sempre do mesmo, totalmente sem querer... Já todos passámos por isto. E não há pior nestas situações do que chegar à conclusão "Até aquele m(onte de) m(erda) já conseguiu arranjar outra pessoa e ando eu aqui a chuchar no dedo." Não que isto seja uma competição para ver quem fica menos tempo solteiro, era só mais o que faltava!, mas custa sempre. Custa sempre saber que os outros conseguiram, lá está, pôr uma pedra sobre nós e seguir em frente. Custa sempre chegar à conclusão que demos tudo de nós para uma pessoa que nos esqueceu em meia dúzia de dias. Custa sempre, e irá sempre custar... Os problemas do coração são tramados e nunca mas nunca as coisas serão tão elementares como gostaríamos que fossem.
Tenho pena que não sejamos verdadeiros computadores em que com as teclas certas pressionadas ao mesmo tempo as coisas más possam ser cortadas, eliminadas, mudadas. Era bom que estivesse tudo organizado em pastas arquivadas naquele disco externo que mal me lembro que existe. Era bom que pudesse ser tudo descarregado para um dvd e que ficásse tudo arrumado na prateleira. Era bom, era... Mas nada na vida é assim tão fácil. Não é fácil esquecer quem nos marcou e mais difícil ainda é conseguir lidar com a constante lembrança que essas pessoas existem. Todos os relacionamentos que ficaram bem resolvidos não levantam este tipo de problemas, e é por isso que existe a necessidade tremenda, típica das gajas, de falar sobre as coisas, de as esmiuçar, de as dissecar até não dar mais. Os gajos não são nada assim. E não são nada assim porque já desde criança que se habituaram a brincar com pedras, e metê-las em cima dos assuntos é tão simples como arranjar uma gaja na noite.


-M

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

flash sighting

Não, não me esqueci que tinha um blog... apenas ando tão inundada de pensamentos que nem capacidade tenho para me sentar em frente ao computador e escrever os tão adorados testamentos. Este sol anda mesmo tentador! Deixo aqui umas imagens bem coloridas e cheias de padrões para nos dar um cheirinho de verão em pleno inverno! Por enquanto desejo uma continuação de boa época de exames e fica a promessa de uns posts assim que consiga organizar ideias e tempo!

Editorial da Vogue UK inspirado pelos bloggers:









-M

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O que aconteceu aos amores eternos?

Hoje em dia loucos são aqueles que conseguem viver uma relação e estimá-la para que se torne duradoura... A banalização dos momentos íntimos e de partilha tanto pelos filmes como pelas séries fez com que as relações passassem para um patamar totalmente diferente daquele em que estavam há uns 20 ou 30 anos atrás. Ainda que a evolução e a modernização sejam necessárias e importantes chegar ao ponto a que chegámos é tudo menos normal. Onde já se viu viver de relações que de monogamia têm muito pouco? Onde já se viu aceitar estar com alguém que estará com outro alguém no dia ou no momento a seguir? Considero-me uma romântica incurável mas por influência dos tempos em que vivo acabo por nem o conseguir admitir. Se há uns anitos atrás a pessoa estranha era aquela que vivia de encontros ocasionais, hoje em dia estranho é o que ambiciona comprometer-se com uma só pessoa para o resto da vida.
Influenciada ou não pela "re-fixação" em Sexo e a Cidade achei bastante pertinente abordar esta questão, as relações ocasionais estão na moda e vieram para ficar. Não concordo com elas e se pudesse fugia delas a sete pés, mas estas acabam por nos apanhar despercebidos e consomem-nos as entranhas numa quantidade absurda de dúvidas e de incertezas às quais ninguém poderá responder e sobre as quais ninguém nos pode esclarecer. Esta coisa das relações ocasionais anda a funcionar que nem pescadores em alto mar, acabamos sempre presos na rede sem saber bem como e libertar-nos delas... 'tá bem! Absurdo como permitimos que a falta de amor próprio chegasse a estes extremos. A ideia de nos entregarmos a alguém apenas no momento, ainda que na teoria seja bastante interessante, é absurda... Lembro-me de que quando era mais miúda havia o equivalente a isto, chamavam-lhe "uma curte"; uma coisa momentânea, espontânea, infantil, cheia de interesse físico, vazia de interesse intelectual, "mais um número para a lista"... ó crianças estúpidas...! Não há coisa mais complicada do que uma relação sem qualquer tipo de interesses. Como disse, funciona perfeitamente na teoria mas na prática... ó na prática... Quem vive livre de sentimentos é louco, e nada pode magoar mais uma pessoa do que acabar por se agarrar à outra numa situação destas. Uma relação casual acaba por ser uma droga: experimenta-se uma vez e até se acha piada, experimenta-se a segunda e acha-se ainda mais piada, a partir da terceira é vício na certa e deixar vai ser para lá de fodido! O "bom" nas relações casuais é a possibilidade de sermos "a droga" e não "o agarrado", e é nisso que temos que pensar logo à partida. Transcende-me a mecânica destas coisas; se uma pessoa é capaz de estar com outra é porque existe ligação, "química", interesse, mas não é isso suficiente para permitir a "evolução" para algo mais normal, tipo uma relação? É assim tanto o estigma à volta de uma relação? Ou será que permitimos dar-nos ao luxo de não descartar "mais um para a lista"? Juro sinceramente que não consigo perceber como é que é possível haver pessoas que vivem relacionamentos altamente polígamos, ainda que acabem sempre por recorrer às mesmas pessoas... Entendo, até certo ponto, a questão da "casualidade"... ao fim ao cabo assumir compromissos com outros é tudo menos fácil mas... várias pessoas?! Dá-me o maior nó no cérebro! Se são tão moralistas numas coisas porque diabo é que não metem na cabeça que a poligamia não é uma coisa bonita? Ou mais, será que entendem sequer que estão a praticá-la?
Como já assumi aqui, uma relação de friends with benefits não me parece assim tão descabida e não a descarto de todo, ainda que ache que para alguém se meter numa coisa dessas tem que ser altamente equilibrado e tem que ter uma relação de amizade bastante particular com a outra pessoa para conseguir uma coisa destas (até porque se se puserem a pensar em filmes e séries e coisas que tais acabam por começar a pensar que vão ficar juntos e isso azeda o ambiente!), mas assumo também que teríamos que viver num mundo bastante equilibrado para conseguir tamanha "perfeição"... Assumindo que a amizade está realmente presente o respeito não devia ser um problema, mas a masculinidade e a feminilidade acabam por falar mais alto e as coisas acabam por complicar: se a miúda se "dá" mais um bocadinho é logo um bicho de sete cabeças, o gajo vai logo dizer-lhe que as coisas estavam bem esclarecidas desde o início e assume logo que ela já está absolutamente caídinha, acabam por tentar novamente, ele sempre com a ideia que ela está perdidamente apaixonada na cabeça, ela a agir normalmente e a cumprir a parte que lhe compete - amigos amigos, negócios aparte - pois quem vai mudar de atitude é ele; não consegue perceber que ela se calhar até nem está assim tão a cair de amores... e tudo começa a descambar. Perdeu-se amizade, perdeu-se relação, perdeu-se relacionamento, perderam-se companheiros. Amigos? Benefícios? Que é deles? Às tantas até tinha sido mais simples se se tivessem deixado de relações "modernas" e se tivessem tentado as coisas "à maneira antiga". Mania da malta jovem de se meter em aventuras! As aventuras na tela até correm bem, mas a vida real é tudo menos como pensamos. E a questão aqui é que não ouvi esta história nem uma, nem duas, nem três vezes...
Padecemos todos de um mal: tentamos viver a vida a correr e acabamos por nem saborear as coisas como devemos. Tentamos tirar o máximo de proveito de tudo o que se passa à nossa volta e acabamos por ficar traumatizados com muita facilidade. Se nos magoaram uma vez já pensamos que são todos iguais e acabamos por nem dar hipótese para as coisas acontecerem novamente com uma pessoa melhor. Não digo que devemos todos atirar-nos de cabeça à primeira pessoa que encontramos, nem digo que o "amor" vai ser fácil de encontrar, mas tantas vezes dou por mim a pensar que se calhar já o deixei escapar por entre os dedos e nem me dei conta. Sim, adorava poder apaixonar-me à primeira vista pelo homem da minha vida com quem casaria e teria filhos, mas como sei que isso não é possível só me resta ir visitar o lobo mau à casa da avó da capuchinho vermelho para ver se já ouve melhor, ou se vê melhor pois a única certeza que temos é que o lobo mau nos come sempre!



-M