sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

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Neste mundo inteiro coisas que me transcendem é o que não falta, coisas banais como lavar a roupa na máquina ou fazer um cozido à portuguesa... Mas o que me transcende mesmo é a incapacidade que nos acompanha até ao resto da vida de esquecer. É difícil esquecer as quedas que demos a andar de bicicleta, as vezes em que chorámos porque partimos alguma coisa em casa, as discussões parvas com os pais, as guerrinhas parvas entre amigos, as conversas intermináveis por conflitos que teimaram aparecer, enfim. Ainda que o bom se mantenha nas nossas mentes o mais certo é não nos esquecermos das coisas más. E vai sempre haver alguém para nos lembrar delas. Felizmente o nosso mundo não pára um segundo e mal temos tempo para pensar "no que não devemos", as nossas vidas são demasiado interessantes para perder tempo a pensar em coisas tristes... até que chegam dias tipo os domingos em que tudo à nossa volta parece ter aparecido, em que a nossa mente ganha asas e vai sempre parar aonde não deve. Porquê, domingo? Porquê? Porque é que dás assim tanto espaço, calma e tranquilidade aos pensamentos reprimidos para divagar?
Não sei se é só coisa minha, mas geralmente faço questão de pôr uma pedra sobre os assuntos que mais me incomodam e faço tudo ao meu alcance para nunca mais me lembrar deles. Tento ocupar-me tão estupidamente para que quando me lembre deles as coisas já não façam qualquer sentido, "Pensar nisto que aconteceu há 1 ano atrás?! Para quê perder o meu tempo?" e geralmente a coisa até corre bem... Mas há sempre aquelas alturas críticas. É péssimo estar quase mesmo a pousar a pedra no assunto e a levá-lo para o corredor do esquecimento quando aparece alguém que diz "Olha! Vi-o com ela no outro dia!". Para quê? para voltar novamente a tortura do pensamento incessante sobre a outra pessoa? (E sim, escusam de pensar que até podia estar a falar noutra coisa que não relacionamentos!!) Ouvi algures no outro dia que para uma pessoa ultrapassar uma relação por completo precisa de, pelo menos, metade do tempo que durou a relação, (para quem a ideia é confusa: se a relação durou 1 ano são necessários 6 meses para a ultrapassar por completo) se bem que isso para mim é uma grandessíssima treta e, ou não fosse isto um problema do "coração", não há "fórmulas" para o resolver! Cada um é como cada qual e logicamente depende do quanto a outra pessoa nos marcou e nos "bateu" no coração. Há coisas que nem o maior ódio do mundo pode apagar, especialmente tendo os que nos rodeiam a falar-nos sempre do mesmo, totalmente sem querer... Já todos passámos por isto. E não há pior nestas situações do que chegar à conclusão "Até aquele m(onte de) m(erda) já conseguiu arranjar outra pessoa e ando eu aqui a chuchar no dedo." Não que isto seja uma competição para ver quem fica menos tempo solteiro, era só mais o que faltava!, mas custa sempre. Custa sempre saber que os outros conseguiram, lá está, pôr uma pedra sobre nós e seguir em frente. Custa sempre chegar à conclusão que demos tudo de nós para uma pessoa que nos esqueceu em meia dúzia de dias. Custa sempre, e irá sempre custar... Os problemas do coração são tramados e nunca mas nunca as coisas serão tão elementares como gostaríamos que fossem.
Tenho pena que não sejamos verdadeiros computadores em que com as teclas certas pressionadas ao mesmo tempo as coisas más possam ser cortadas, eliminadas, mudadas. Era bom que estivesse tudo organizado em pastas arquivadas naquele disco externo que mal me lembro que existe. Era bom que pudesse ser tudo descarregado para um dvd e que ficásse tudo arrumado na prateleira. Era bom, era... Mas nada na vida é assim tão fácil. Não é fácil esquecer quem nos marcou e mais difícil ainda é conseguir lidar com a constante lembrança que essas pessoas existem. Todos os relacionamentos que ficaram bem resolvidos não levantam este tipo de problemas, e é por isso que existe a necessidade tremenda, típica das gajas, de falar sobre as coisas, de as esmiuçar, de as dissecar até não dar mais. Os gajos não são nada assim. E não são nada assim porque já desde criança que se habituaram a brincar com pedras, e metê-las em cima dos assuntos é tão simples como arranjar uma gaja na noite.


-M

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