Quer queiramos quer não, "love makes the world go around". Sem hipótese! Nem dinheiro, nem vontades, nem nada. É o amor. Amor próprio, amor pelo outro, amor pelos animais, amor por coisas materiais, amor pelos livros, amor pelo sol. Amor. Estranho é "movermo-nos" por esta coisa e às vezes nem nos apercebermos...
Ainda que seja o amor que nos faça enfrentar o dia ao acordar, também é este bicho de sete cabeças que nos deixa sem dormir noites e noites. Desde crianças que somos afogados por histórias de encantar, por príncipes e princesas, por paixões arrebatadoras, por histórias de fazer chorar as pedras da calçada que no fim acabam sempre por resultar bem. Ó Disney... porquê? Quem nos dera a nós que as vidas fossem assim tão simples, que o nosso príncipe nos aparecesse à frente num lindo cavalo branco e que um simples beijo apaixonado nos desse a certeza que ficaríamos juntos até à eternidade... Mas a vida encarrega-se de nos dar uma valente chapada e de nos fazer acordar desse sonho. A vida amorosa é feita de amores não correspondidos, de
timings totalmente incorrectos, de desilusões estonteantes, de reviravoltas inesperadas, de aparições semelhantes às da Nossa Senhora de Fátima. No entanto são todas essas certezas que nos fazem seguir em frente, pois ainda que saibamos lá bem no fundo do coração que tamanhas odisseias nos esperam não desistimos de encontrar "o homem perfeito".
Talvez seja o amor o nosso
drive mesmo que não nos apercebamos, mas a importância dada a um simples "estado" está a tornar-se devastadora. Vivemos num mundo em que tudo tem que estar rotulado. Se alguém decidiu ir para a cama com um amigo já tem um "amigo colorido" - sinceramente até acho mais engraçado chamar-lhe
friend with benefits; há maior benefício do que poder
mandar uma queca estar com alguém que já conhecemos?-, se alguém decide dedicar tempo a si próprio e não estar com ninguém já é uma "freira", se alguém decide dedicar-se a 100% a uma relação já é uma "atrasada", se alguém decide assumir que determinado alguém era o ideal para si noutras circunstâncias já colocou o outro alguém na
friend zone, se alguém decide andar aí a comer meio mundo já é uma "pêga"... Para quê esta necessidade de dar um nome a tudo?! Para quê dizer que ela namora com ele se o que eles realmente são é felizes? Para quê inundar a cabeça dos milhares de miúdas que para aí andam com a ideia que só estarão felizes se tiverem alguém do lado delas, um namorado? Eu digo com muito orgulho que sou solteira! Sou dona de mim, dona do meu nariz (e grande por sinal), dona das minhas satisfações que ficaram por dar, dona da minha própria felicidade, e feliz é aquele que me conseguir apanhar e viver desta felicidade também! Que se desenganem aqueles que ficam apreensivos por não estar com ninguém. Se o estou é porque quero e não podia estar melhor! E é esta a "campanha" que pretendo iniciar: malta, antes de poderem estar com alguém têm que estar bem convosco próprios, é elementar! E sinceramente faz-me uma tremenda confusão na cabeça quando me perguntam "como é que consegues estar sem gostar de ninguém?" Ouçam... Não há maior trabalho neste mundo do que conseguir sentar-me comigo mesma, sem nada, nem livro, nem telemóvel, nem papel e caneta, e ficar a conviver com os meus fantasmas, com os meus pensamentos, comigo. E é esse o derradeiro exercício a fazer para termos a certeza que estamos prontos a deixar outro amor comandar a nossa vida.
Não há maior amor na vida do que o nosso pela nossa própria pessoa, e é esse amor que tem de ser cultivado. Seremos muito mais felizes no dia em que nos conseguirmos amar incondicionalmente, ainda que conhecendo todas as nossas falhas e os nossos defeitos, pois só aí teremos a certeza que seremos capazes de o fazer noutra pessoa. Amo-me como nunca amei ninguém na vida e não podia estar mais feliz com isso!
-M
Agora disseste tudo: rótulos. Para quê? Cada um tem de se sentir bem consigo mesmo, e não com os rótulos que a sociedade lhes coloca.
ResponderEliminarKiss