Influenciada ou não pela "re-fixação" em Sexo e a Cidade achei bastante pertinente abordar esta questão, as relações ocasionais estão na moda e vieram para ficar. Não concordo com elas e se pudesse fugia delas a sete pés, mas estas acabam por nos apanhar despercebidos e consomem-nos as entranhas numa quantidade absurda de dúvidas e de incertezas às quais ninguém poderá responder e sobre as quais ninguém nos pode esclarecer. Esta coisa das relações ocasionais anda a funcionar que nem pescadores em alto mar, acabamos sempre presos na rede sem saber bem como e libertar-nos delas... 'tá bem! Absurdo como permitimos que a falta de amor próprio chegasse a estes extremos. A ideia de nos entregarmos a alguém apenas no momento, ainda que na teoria seja bastante interessante, é absurda... Lembro-me de que quando era mais miúda havia o equivalente a isto, chamavam-lhe "uma curte"; uma coisa momentânea, espontânea, infantil, cheia de interesse físico, vazia de interesse intelectual, "mais um número para a lista"... ó crianças estúpidas...! Não há coisa mais complicada do que uma relação sem qualquer tipo de interesses. Como disse, funciona perfeitamente na teoria mas na prática... ó na prática... Quem vive livre de sentimentos é louco, e nada pode magoar mais uma pessoa do que acabar por se agarrar à outra numa situação destas. Uma relação casual acaba por ser uma droga: experimenta-se uma vez e até se acha piada, experimenta-se a segunda e acha-se ainda mais piada, a partir da terceira é vício na certa e deixar vai ser para lá de
Como já assumi aqui, uma relação de friends with benefits não me parece assim tão descabida e não a descarto de todo, ainda que ache que para alguém se meter numa coisa dessas tem que ser altamente equilibrado e tem que ter uma relação de amizade bastante particular com a outra pessoa para conseguir uma coisa destas (até porque se se puserem a pensar em filmes e séries e coisas que tais acabam por começar a pensar que vão ficar juntos e isso azeda o ambiente!), mas assumo também que teríamos que viver num mundo bastante equilibrado para conseguir tamanha "perfeição"... Assumindo que a amizade está realmente presente o respeito não devia ser um problema, mas a masculinidade e a feminilidade acabam por falar mais alto e as coisas acabam por complicar: se a miúda se "dá" mais um bocadinho é logo um bicho de sete cabeças, o gajo vai logo dizer-lhe que as coisas estavam bem esclarecidas desde o início e assume logo que ela já está absolutamente caídinha, acabam por tentar novamente, ele sempre com a ideia que ela está perdidamente apaixonada na cabeça, ela a agir normalmente e a cumprir a parte que lhe compete - amigos amigos, negócios aparte - pois quem vai mudar de atitude é ele; não consegue perceber que ela se calhar até nem está assim tão a cair de amores... e tudo começa a descambar. Perdeu-se amizade, perdeu-se relação, perdeu-se relacionamento, perderam-se companheiros. Amigos? Benefícios? Que é deles? Às tantas até tinha sido mais simples se se tivessem deixado de relações "modernas" e se tivessem tentado as coisas "à maneira antiga". Mania da malta jovem de se meter em aventuras! As aventuras na tela até correm bem, mas a vida real é tudo menos como pensamos. E a questão aqui é que não ouvi esta história nem uma, nem duas, nem três vezes...
Padecemos todos de um mal: tentamos viver a vida a correr e acabamos por nem saborear as coisas como devemos. Tentamos tirar o máximo de proveito de tudo o que se passa à nossa volta e acabamos por ficar traumatizados com muita facilidade. Se nos magoaram uma vez já pensamos que são todos iguais e acabamos por nem dar hipótese para as coisas acontecerem novamente com uma pessoa melhor. Não digo que devemos todos atirar-nos de cabeça à primeira pessoa que encontramos, nem digo que o "amor" vai ser fácil de encontrar, mas tantas vezes dou por mim a pensar que se calhar já o deixei escapar por entre os dedos e nem me dei conta. Sim, adorava poder apaixonar-me à primeira vista pelo homem da minha vida com quem casaria e teria filhos, mas como sei que isso não é possível só me resta ir visitar o lobo mau à casa da avó da capuchinho vermelho para ver se já ouve melhor, ou se vê melhor pois a única certeza que temos é que o lobo mau nos come sempre!
-M

Sem comentários:
Enviar um comentário