terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

um pequeno "desabafo"...

Isto de andar em transportes colectivos tem muito que se lhe dia. Seja ela uma viagem de autocarro, metro ou avião. Não só são locais absolutamente conspurcados e recheados de bactérias como temos que levar com as acções voluntárias e involuntárias dos que ao nosso lado se sentam. São inúmeras as histórias de velhinhos e velhinhas nos autocarros a tossir compulsivamente, de tal modo que só nos resta aguardar o momento em que lhes sai um pulmão ou em que lhes dá para puxar a bela da "escarra", mas a minha sina ultrapassa velhinhos doentes e nem imaginam o quanto gostava que as histórias fossem só as das tosses.
Começam a ser recorrentes na minha vida os "encontros de 3º grau" com pessoas sofredoras de, nada mais nada menos, flatulência. Exactamente, a "F word", e só de pensar nisto até me estão a dar náuseas. Recordo-me do primeiro episódio deste género que marcou profundamente a minha vida e que deixou marcas irreversíveis: estava eu numas MALDITAS escadas rolantes, e chamo-lhes malditas porque nem podem ter outro nome, quando, no preciso momento em que o RABO do senhor à minha frente fica ao nível da minha cara, este decide mandar uma preciosa bufa. Quer dizer, endendamos que até pode não ter sido voluntário,  ao fim ao cabo chega a uma altura na vida em que guardar determinadas coisas para nós já começa a ser difícil (ou não fossem os mais velhos conhecidos pela frontalidade), mas que foi um segredo que preferia não ter sabido, disso não há dúvida! Certamente estão a questionar-se por que raio fui eu lembrar-me de flatulência a uma hora destas, pois bem, passo a explicar: todos estão familiarizados com os infames vôos low cost - pouco espaço para as pernas, pouco espaço no assento, muita proximidade com os vizinhos do lado -  e compreendem o grau de "intimidade" que adquirimos com aqueles que optam sentar-se ao nosso lado. Entrei num Boeing 737 com destino a Valencia e "escolhi" o meu lugar com base no espaço disponível para pôr a minha mala bem por cima de mim. Como boa samaritana que sou escolhi o assento do meio, ainda que esperançada que o lugar do meu lado esquerdo não fosse ocupado, e aguardei que o avião fosse ficando mais compostinho, até que aparece o meu vizinho: um senhor de fato, com ar vivido nestas questões de vôos e senti-me mais descansada. MAL! De facto o senhor não apresentou problema nenhum à primeira vista, sentou-se a ler a sua revistinha, ocupou o seu espaço q.b. e não e dirigiu palavra, até que as suas acções começaram a "falar" mais alto e me chegou ao nariz um cheiro fétido. Não que o senhor estivesse todo podre, nada disso, mas claramente sofria de um problema com feijoada ou algo desse género. É que não foi uma vez, nem duas, foram várias, durante o vôo TODO!! Eu bem que me tentava concentrar no Stieg Larsson e na sua história da "Girl who played with fire" mas no meu campo de visão encontravam-se as pernas do senhor que amigavelmente se contorciam num aviso para o "desabafo" que ia presenciar. Falam as más línguas da corneta da Ryanair, mas no dia em que vivenciarem um episódio destes acreditem que nada teve um som tão doce como esta após hora e meia de pura tortura.
Como dizia eu no início deste (e vão desculpar-me a falta de palavra melhor) desabafo, esta história dos transportes públicos pode ter inúmeras qualidades e de trazer benefícios à nossa Mãe Natureza, as prejudica-nos demais pela "poluição" a que estamos sujeitos, se é que me entendem. Enquanto as histórias não passarem de senhores a guardar as couves como se da vida se tratassem ou até mesmo do gozo dado pela observação dos velhinhos a recordar tempos gloriosos pela aparição de alguma menina com menos frio  estamos nós bem, e até as tosses alheias começam a fazer-nos menos confusão, mas quando as histórias começam a envolver "confissões" de segredos "profundos" é sinal que a nossa experiência "social" já bateu no fundo.


-M

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