Começa a preparação para os exames, começam os tentadores símbolos "%" a aparecer nas montras por entre Pais Natal e pinheiros, renas e presentinhos com laços maiores que o próprio embrulho, azevinhos e flocos de neve, começa a correria por entre famílias a celebrar o espírito natalício como tradicionalmente se faz - a passear nos centros comerciais - na esperança de conseguir sair de lá o mais rapidamente possível, começam os cds de Natal (que já conhecemos de cor) a tocar incessantemente, começam os malditos comboios para transportar as crianças a atropelar-nos enquanto nos maçam com aquela melodia estridente. Tirem-me deste pesadelo!! O que não fazemos nós por umas quantas peças de roupa que já andamos a namorar há uns tempos mas que pura e simplesmente achávamos caras de mais pelo bocadito de tecido que são!
Sempre fui grande adepta das "pechinchas", não só pela parte forreta da coisa mas também porque é sempre um orgulho poder dizer "comprei este casaco por 3€, e é o meu tamanho!", a caça ao tesouro torna-se um desafio bastante interessante e a contemplação das "moedinhas de ouro" tem um sabor bastante especial. Confesso que pode ser uma tarefa bastante árdua e um bocadinho intimidante; aquelas horas que antecedem a ida para o shopping são uma tortura - o simples pensamento do estado em que não estarão as prateleiras, os amontoados de mulheres a sondar as ditas cujas como se lá jazesse o segredo para a juventude eterna, as filas intermináveis para pagar, a procura louca pelos tamanhos certos. Até já me sinto cansada só de pensar...!
Pessoas, porque tornam uma coisa tão engraçada como fazer compras numa sessão de sofrimento (in)voluntário?! Sejam mais caridosas, por favor! Não nos atropelem, não façam de nós tapetes, não nos empurrem e não nos "rosnem" que nem cães de luta. Entendam: há espaço e peças para todas, não é preciso fazer mortos que nem os outros na black friday! Esta correria tremenda faz-me lembrar de uma situação bastante peculiar que me aconteceu há uns anos: parou a minha mãe o carro em frente a uma padaria para eu ir comprar pão, nisto uma senhora que estava uns metros à minha frente e a caminhar na minha direcção apercebe-se que me estou a dirigir para a padaria e começa a acelerar o passo, de tal maneira que quase correu, na necessidade tremenda e absoluta de chegar e ser atendida primeiro do que eu. Bravo! Conseguiu ficar com o croissant que eu queria...! E toda esta história serve não para partilhar a minha tristeza nesse dia por não ter comido um croissant, mas sim para mostrar o ridículo a que as pessoas chegam (entendam que nada tenho contra as pessoas idosas, mas geralmente estas circunstâncias tendem a piorar com o avanço da idade!) quer seja nas padarias, nas farmácias, à entrada da Loja do Cidadão, nos supermercados, ou, lá está, nas lojas em saldos!
O ser humano é naturalmente competitivo, se assim não fosse não existiriam os milhares de objectos que nos são indispensáveis à vida que levamos, e acaba sempre por tentar ser melhor que "o outro" mas, a sério que vale deixar uma criança sem o seu tão apetecido croissant em prol do primeiro lugar na corrida para a Vasco da Gama?!
-M
Momento musical
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