quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Opá boa! Perdi o telemóvel!

"Espera! Não sei do meu telemóvel! Perdi a minha vida!!!" foi o que disse da última vez que perdi o maldito. Infelizmente sou perita em esquecer-me dele em todo o lado e mais algum, pois apesar de o considerarmos a nossa vida, tal como fazemos com a própria, levamos a irrresponsabilidade ao extremo e corremos o risco constante de o perder. Felizmente consegui recuperá-lo sempre!
Pois bem, não me lembrei deste tema à toa nem escrevo sobre ele por iluminação divina. Na rotina matinal de ler tudo quanto são sites e blogs de tendências descobri esta maravilhosa invenção:


Fonte: http://www.highsnobiety.com/news/2011/12/14/miansai-gold-iphone-case/


Isso mesmo! Uma capa para iPhone feita de ouro! Já não bastava andar com a vida absolutamente dissecada por entre agendas, redes sociais, email, notas, contactos, mensagens, como agora ainda querem que ande com uma barra de ouro no bolso ou na carteira. Sem dúvida que para mim dava imenso jeito! Confesso, por todas as vezes que o bandido cai ao chão se calhar ter alguma segurança extra até era bom, mas por todas as vezes em que ficou em jardins, cafés, bancos de carro, ou até mesmo em festas académicas, a sorte só ia ser mesmo de quem o encontrasse!
Ao sair de casa nem temos noção do "valor" que temos... Na altura em que tirei o aparelho brincava com a minha mãe ao dizer-lhe que o meu valor havia aumentado 3000€. Brincava mas até acabava por ter razão... Os investimentos que fazemos em nós próprios, apesar de acabarem por não ser palpáveis apresentam valores absurdos: a anuidade do ginásio, o aparelho nos dentes, as idas ao cabeleireiro, as manicures e as pedicures, e, nem é preciso ir mais longe. a educação! "Senhor ladrão, escusa de me levar a carteira porque isso ao lado de mim não vale merda nenhuma! Roube-me a educação que essa, sim, foi bem cara!" E se os "upgrades" imateriais são altamente valiosos as materialidades que carregamos ao sair de casa também são absurdas... Sempre que saio de casa e vou para locais que me são menos "familiares" o receio de ser abordada por um malfeitor cresce em mim e a tendência acaba por ser a de esconder o telemóvel e o dinheiro o mais possível não vá aparecer alguém, o que é parvo. Então e o casaco, e os sapatos e a carteira? O que vale é que os senhores ladrões percebem mais de drogas do que de roupa e nem sabe o que é que lhe passa em frente aos olhos. (Agora só me faltava as meninas lerem isto e começarem uma vaga de roubos a carteiras LV ahah)
Agora a sério, não vivo a vida em pânico com medo de me levarem os meus pertences. Hoje em dia as nossas vidas são mais públicas que a RTP e se porventura o meu telemóvel me desaparecer só terei que procurar outro e ter a maçada tremenda de voltar a inserir contactos e entradas na agenda, o que me intriga é a tranquilidade com que saímos de casa transportando sobre nós o equivalente a uma semana de trabalho de uma pessoa que receba o ordenado mínimo nacional - e isto falando de uma pessoa poupadita. Forremos as nossas futilidades a ouro e rezemos para que ninguém as apanhe num momento de distracção!

-M

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